Dependências/Toxicodependências

Toxicodependência

A toxicodependência é...

 

O que é a toxicodependência?
A toxicodependência é um fenómeno em ascensão que tem marcado as sociedades nos últimos cinquenta anos. Resulta dos efeitos de uma substância sobre o organismo, provocadora de um consumo compulsivo, difícil de abandonar. As dependências física e psicológica surgem normalmente associadas. A prevenção é a grande solução deste problema.

A primeira e melhor forma de prevenir é a troca de informação, ao nível familiar e escolar. São os pais que, melhor do que ninguém, conhecem os seus filhos e são os primeiros a poder ajudar. São várias as causas que podem precipitar a toxicodependência. A curiosidade e o gosto pelo risco, próprios da fase da adolescência e juventude, são duas delas. A influência dos amigos, que vêem no consumo de drogas uma forma de afirmação social, é outra.

O que é a dependência?
A dependência é uma utilização inadequada de uma droga por quem a consome. Existe a dependência física, que corresponde a uma adaptação inadequada do organismo à droga consumada regularmente. Quando esta falta, o organismo ressente-se de uma forma que provoca grande sofrimento no consumidor. Nem todas as drogas provocam este tipo de dependência. Existe outra forma de dependência que pode ser provocada por todas as drogas psicoactivas e que é muito mais grave: a dependência psicológica. Associa-se geralmente a uma ilusão de poder e de controlo dos problemas e a uma negação da dependência.

Quando falamos de dependência não podemos esquecer a co-dependência, ou seja, a dependência que algumas pessoas desenvolvem relativamente a um toxicodependente. Esta reacção é compreensível em pessoas que se preocupam com os outros, em especial quando gostam muito deles, mas acaba por prejudicar a evolução do problema do toxicodependente. Além disso, os co-dependentes tornam-se também pessoas com problemas que precisam de ajuda para recuperar.

O que são “drogas”?
Designam-se genericamente por "droga" todas as substâncias que podem modificar uma ou mais funções de um organismo vivo em que são introduzidos. As drogas que estão relacionadas com a toxicodependência são apenas uma parte do conjunto das drogas: são as drogas psicoactivas, que se caracterizam pelo poder de modificar as funções do Sistemas Nervoso Central. Uma droga psicoactiva é qualquer substância que altera o humor, a percepção do ambiente externo (tempo, local, etc.) ou interno (sonhos, alucinações, etc.). O uso destas substâncias pode originar sérios problemas, assim como precipitar comportamentos não desejáveis.
 

Depressores: reduzem a estimulação fisiológica, reduzem a tensão psicológica e podem provocar o relaxamento. Há três tipos de depressores: o álcool, os barbitúricos e as benzodiazepinas.
Narcóticos: apesar de ser frequentemente usado para referir drogas ilegais, o termo refere-se a uma classe específica de drogas derivadas do ópio. Os narcóticos têm por efeito o entorpecimento dos sentidos e a criação de um estado semelhante ao sono. No entanto, o consumo de doses elevadas pode causar um grau prolongado de relaxamento que pode levar à paragem respiratória e, como consequência, à morte. Os narcóticos incluem o ópio, a morfina e a heroína.
Estimulantes: provocam estados de euforia, porque aumentam os níveis de determinados neurotransmissores e, desta forma, aumentam o nível de actividade neurológica do sistema límbico, um sistema que é responsável pelo prazer. Os dois estimulantes mais poderosos são as anfetaminas e a cocaína, mas também poderiam incluir a cafeína e a nicotina.
Alucinogénios: têm por efeito distorcer experiências sensoriais. Sob o efeito de alucinogénios, o que o indivíduo vê ou ouve é alterado, mudado ou deformado. Tais distorções podem ser chamadas de alucinações, experiências de percepção que não têm por base a realidade. Alguns alucinogénios são o cannabis, o LSD e a mescalina.

Quais são os serviços de recuperação de toxicodependência existentes no País?
Há centros de recuperação de toxicodependência em todo o País, que actuam não só no campo da prevenção, como também na reabilitação e reinserção social dos toxicodependentes. As famílias, cuja participação é imprescindível no longo processo de recuperação, podem também ser acompanhadas nestes centros e elucidadas sobre os malefícios das drogas.
 

Se é toxicodependente ou se conhece alguém nestas condições pode contactar o Serviço de Prevenção e Tratamento da Toxicodependência do Ministério da Saúde (SPTT), que proporciona consultas gratuitas e confidenciais e dispõe das seguintes unidades especializadas:
1. Centros de atendimento a toxicodependentes (CAT) – prestam cuidados globais, individualmente ou em grupo, sempre em regime ambulatório;
2. Unidades de dispensa de terapêutica de substituição – extensões dos CAT, onde se disponibiliza a toma diária e controlada de metadona ou LAAM a heroinómanos. O SPTT considera que, quando a abstinência é impossível, é preferível substituir a heroína por outros opiáceos, associados a menores riscos de saúde e sociais;
3. Unidades de desabituação – unidades de internamento de curta duração, essencialmente vocacionadas para a supressão dos consumos sem o sofrimento associado à abstinência. A sua acção assenta, em regra, num programa de 7 dias de internamento, sem visitas nem contactos com o exterior, mediante contrato terapêutico. Após este período, sendo respeitado o contrato, o utente pode sair para um programa de terapêuticaantagonista de opiáceos ou para internamento de longa duração em comunidade terapêutica. Um outro programa de internamento de 10 dias é destinado a grávidas toxicodependentes, cuja saída é em abstinência ou internamento em comunidade terapêutica;
4. Comunidades terapêuticas – unidades de internamento de longa duração, onde são prestados cuidados a toxicodependentes que necessitam de apoio psicoterapêutico e socioterapêutico, com o objectivo de quebrar a relação psicossocial com a sua dependência e ressocializá-lo num novo mundo familiar, social e laboral;
5. Centros de dia – locais onde se desenvolvem actividades de natureza ocupacional e/ou pré-profissional, em regime ambulatório;
6. Centros de informação e acolhimento (CIAC) – unidades dedicadas à prevenção de comportamentos de risco na adolescência e formação/educação para a saúde.


tabagismo

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), anualmente cerca de 4,9 milhões de pessoas morrem, em todo o mundo, em resultado do tabagismo. Se a epidemia não for travada, a mesma organização estima que, em 2020/30, esse número chegará aos 10 milhões de pessoas por ano.

Uma vez iniciado o consumo do tabaco, rapidamente se transforma em dependência (física e psíquica), provocada por uma droga psicoactiva - a nicotina – presente na folha do tabaco.

O fumo produzido pelo consumo do tabaco contém mais de quatro mil compostos químicos com efeitos tóxicos e irritantes, dos quais mais de 40 são reconhecidos como cancerígenos.

O tabagismo não é factor de risco apenas para o próprio fumador, mas também para aqueles que, não sendo fumadores, se encontram frequentemente expostos ao fumo passivo. Dados recolhidos em 1992, pela Comissão Europeia, revelaram que 29 por cento dos fumadores portugueses nunca se abstêm de fumar em presença de não-fumadores.

Estudos epidemiológicos confirmam a associação entre o tabagismo e...

  • Um terço de todos os casos de cancro;
  • 90 por cento dos casos de cancro do pulmão;
  • Cancro do aparelho respiratório superior (lábio, língua, boca, faringe e laringe);
  • Cancro da bexiga, rim, colo do útero, esófago, estômago e pâncreas;
  • Doenças do aparelho circulatório, dos quais a doença isquémica cardíaca (25 por cento);
  • Bronquite crónica (75-80 por cento), enfisema e agravamento da asma;
  • Irritação ocular e das vias áreas superiores.

Fumar reduz a esperança média de vida em cerca de dez anos.


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